Sindi

Produção de carne e leite até mesmo em condições extremas.

Origem

A raça Sindi é originaria da região chamada de Kohistan, na parte norte da província de Sind, no atual Paquistão. A variedade Las Bela, talvez a mais pura linhagem da raça, é encontrada no estado do mesmo nome, no Beluchistão. Pode-se observar certa variedade de tipos, fora da sua zona de origem, e, por essa razão, quando se trata da escolha de reprodutores puros, há tendência de ir buscá-los em Las Bela.

No Brasil: Acredita-se ter sido provavelmente Sindi o reprodutor recebido na Bahia, em 1850, pelo Visconde de Paraguaçu; na falta de fêmeas do mesmo tipo, que garantissem a perpetuação da raça, é evidente que seu sangue tenha se diluído na vacada crioula. Pouco depois, provavelmente entre 1854 e 1856, de conformidade com a carta que Joaquim Carlos Travassos, dirigiu em 1906 ao Jornal dos Agricultores, entraram na Serra – Abaixo, expressão então usada para designar a Baixada Fluminense, casais da variedade Sindi. O ilustre zootecnista descreve, na época, como sendo animais de pequeno porte, não excedendo 1,30 metros no cupim, porém reforçados, especialmente as vacas, “produtoras de excelente e abundante leite”.

Teófilo de Godoy em 1903, ficou conhecendo e soube apreciar esta raça, tanto que 3 anos mais tarde estava disposto a importá-la, juntamente com Nelore, Guzerá e Hissar, conforme anúncios de sua viagem. Dentre os animais importados, por Francisco Ravísio Lemos e Manoel de Oliveira Prata, em 1930, foram identificados mais de um reprodutor Sindi e várias fêmeas.

Importação de 1952: Pode ser considerada uma verdadeira história de cinema a importação, em 1952, de gado Sindi diretamente do Paquistão. O autor da façanha foi o diretor do Instituto Agronômico do Norte (IAN), Felisberto de Camargo, que trouxe consigo, num avião cargueiro inglês fretado, 31 animais da raça, sendo 28 fêmeas e três reprodutores.

Características

Os animais da raça Sindi são medianos, de bela aparência, adequados para regiões de poucos recursos alimentares, onde seria difícil a manutenção de animais de grande porte. Tem sido selecionada para dupla aptidão, com linhagens extremamente leiteiras e também com ótimo desempenho em abates técnicos.

A cabeça é pequena e bem proporcional, de perfil convexo. Os chifres são grossos na base crescem para os lados, encurvando-se para cima. As orelhas têm tamanho médio e são caídas, com 25 a 30 cm de comprimento e 15 cm de largura; adaptam-se facilmente a diferentes condições de clima e solo. São compactos, tendo os quartos traseiros arredondados.

O pescoço é curto e forte, mais delicado nas fêmeas; barbela de tamanho médio, mais desenvolvida no macho. O cupim é médio e pequeno nas fêmeas e relativamente grande nos machos, apresentando-se firme e bem colocado sobre a cernelha.

O Sindi Mocho começou a ser registrado pela ABCZ a partir do ano de 2002.

A pelagem é vermelha, variando do mais escuro ao amarelo-alaranjado; observam-se, às vezes, pintas brancas na barbela, na fronte e no ventre, mas não tem manchas grandes. Os touros têm as espáduas e coxas em tonalidades mais escuras. Ao redor do focinho, no úbere, no períneo, e ao redor das quartelas a pelagem apresenta tonalidades mais claras. Nesta raça o branco é recessivo, aparecendo ocasionalmente, mesmo nos rebanhos puros, mas não é apreciado. A pele, levemente solta, é recoberta de pelos finos, macios e luzidios, a pigmentação da pele e das mucosas é escura. As unhas são fortes, compactas e de cor escura. A cauda é fina, longa, terminada por vassoura abundante, de cor escura ou negra.

O tronco é profundo, compacto, porém longo e tendendo para o cilíndrico; linha dorso-lombar reta e quase horizontal; dorso e lombo bem musculados, garupa arredondada, mas inclinada. O úbere é volumoso, com tendência e se tornar pendente; tetos muitas vezes grossos.

Os membros são curtos, finos, de ossatura delicada, bem feitos e corretamente aprumados; as articulações são pouco volumosas.

Vantagens

Capacidade de andar à procura de água e de alimentos, pois seu casco pequeno e forte faz com que se locomova com facilidade, a pelagem vermelha, bem mais apropriada para o clima quente e semiárido.

Boa produção de carne e leite mesmo em ambientes semiáridos ou condições extremas.

Por se tratar de um animal manso, apresenta facilidade no manejo do rebanho entre áreas ou piquetes; e por ser de pequeno porte, o gado Sindi atinge a idade de abate, com acabamento ideal, mais cedo do que animais de maior porte. O potencial do gado Sindi se torna ainda mais expressivo quando é feito o cruzamento com outras raças, gerando animais meio sangue. O cruzamento Sindi e Nelore tem sido a opção mais utilizada para a produção de carne nas fazendas, que investem em melhoramento genético.

Mediante condições de baixa disponibilidade de pastos e outros volumosos, falta de água e baixa disponibilidade de capital, os bovinos da raça Sindi ainda conseguem fornecer benefício financeiro. Sua habilidade metabólica para sobreviver às altas temperaturas sobre precárias condições climáticas, capacidade de aproveitar recursos nutritivos pobres, juntamente com seu porte mediano e menos exigente em volume de alimentos, e sua capacidade de deslocamento a longas distâncias com cascos pequenos e duros, lhe confere um melhor aproveitamento das áreas em questão.